Produto fabricado pelo Laboratorios Catedral não possui registro sanitário no país; medida proíbe importação, venda, distribuição, propaganda, armazenamento, transporte e uso
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a importação, comercialização, distribuição, propaganda, armazenamento, transporte e uso da T36, produto à base de tirzepatida fabricado no Paraguai pelo Laboratorios Catedral. A medida impede a circulação do medicamento no mercado brasileiro por falta de registro sanitário no país. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (16).
A T36 é apresentada pelo fabricante paraguaio como um produto à base de tirzepatida, princípio ativo também presente no Mounjaro, medicamento registrado no Brasil. A existência do mesmo princípio ativo, entretanto, não significa que os produtos sejam equivalentes ou que tenham passado pelo mesmo processo de avaliação sanitária.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a T36 é considerada uma nova apresentação de um produto anteriormente proibido pela Anvisa. A publicação também informa que o produto é registrado no Paraguai pela autoridade sanitária daquele país, a Dinavisa, mas não possui registro na Anvisa.
Falta de registro impede venda no mercado brasileiro
No Brasil, medicamentos precisam ser submetidos à avaliação da Anvisa antes de serem comercializados regularmente. O processo envolve requisitos relacionados à qualidade, segurança e eficácia do produto.
A agência esclarece que um medicamento registrado em outro país não passa automaticamente a ser autorizado no Brasil. Quando não há registro sanitário nacional, não existe autorização para comercialização regular no território brasileiro.
A Anvisa vem adotando diversas medidas contra produtos à base de tirzepatida que circulam sem registro. Em junho de 2026, por exemplo, a agência determinou a apreensão e proibiu a comercialização, distribuição, importação, fabricação, armazenamento e divulgação de diferentes produtos contendo tirzepatida sem registro, notificação ou cadastro no país.
Mesmo princípio ativo não significa mesmo medicamento
A tirzepatida é um princípio ativo utilizado em medicamentos para determinadas condições de saúde. No Brasil, o Mounjaro, produzido pela Eli Lilly, possui registro sanitário e integra a relação de medicamentos agonistas dos receptores de GLP-1 regulamentados pela Anvisa.
A Anvisa ressalta, porém, que a presença de determinado princípio ativo em um produto não garante que outra apresentação tenha a mesma qualidade, segurança, eficácia, estabilidade ou procedência.
A agência já alertou que medicamentos sem registro no Brasil podem apresentar problemas relacionados à composição, origem, armazenamento e rastreabilidade. Em produtos injetáveis, os cuidados são ainda mais importantes devido aos riscos relacionados à esterilidade e à contaminação.
Em análise conjunta divulgada em 2026, Anvisa e Polícia Federal apontaram problemas encontrados em produtos irregulares, incluindo falhas de esterilidade, armazenamento inadequado, quebra da cadeia de conservação e uso de insumos de origem desconhecida ou sem controle de qualidade adequado.
T36 é produzido pelo Laboratorios Catedral
Em seu próprio site, o Laboratorios Catedral apresenta a T36 como um produto formulado com tirzepatida e destinado ao tratamento de pessoas com sobrepeso ou obesidade. O fabricante informa diferentes apresentações do produto.
A existência e a comercialização do produto no Paraguai, contudo, não representam autorização para sua venda no Brasil. A legislação sanitária brasileira possui regras próprias para registro, importação e comercialização de medicamentos.
A reportagem da Folha de S.Paulo informou ainda que análises realizadas pela Unicamp identificaram a presença de tirzepatida no produto. Especialistas ouvidos pela publicação, entretanto, chamaram atenção para a necessidade de avaliar outros aspectos, como diferenças moleculares, impurezas, eficácia e segurança.
Anvisa intensifica fiscalização sobre canetas emagrecedoras
A proibição da T36 ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre medicamentos injetáveis conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.
Em abril, a Anvisa anunciou novas medidas para combater irregularidades envolvendo medicamentos agonistas de GLP-1, incluindo tirzepatida, semaglutida e liraglutida. Entre as ações estão o reforço da fiscalização, monitoramento da cadeia de produção e importação e revisão das regras relacionadas à manipulação desses medicamentos.
Em janeiro de 2026, a agência também havia determinado a apreensão e proibição de produtos à base de tirzepatida e retatrutida fabricados por empresas consideradas desconhecidas, que estavam sendo anunciados e comercializados pela internet.
Anvisa alerta para riscos de produtos sem registro
A agência orienta que medicamentos sem registro no Brasil não devem ser utilizados fora das condições previstas nas normas sanitárias. Segundo a Anvisa, a ausência de registro dificulta a rastreabilidade do produto e limita a capacidade de fiscalização e de adoção de medidas em caso de problemas relacionados ao medicamento.
A Anvisa também reforça que medicamentos agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, estão sujeitos a controle de prescrição. Desde 2025, a venda desses medicamentos passou a exigir retenção da receita nas farmácias e drogarias.
A recomendação aos pacientes é evitar a compra de medicamentos por canais informais, redes sociais ou vendedores sem autorização. Em caso de dúvida sobre a regularidade de um produto, a orientação é consultar os canais oficiais da Anvisa ou a Vigilância Sanitária local.
Importante: a proibição sanitária da T36 no Brasil não significa que a tirzepatida, como princípio ativo, seja proibida no país. O que está em questão é a regularidade específica do produto T36 e sua autorização para circulação no mercado brasileiro.







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